Ciclos de design longos que atrasavam lançamentos
Projetar uma aeronave é um dos desafios de engenharia mais complexos que existem. Cada componente precisa atender a requisitos rigorosos de segurança, aerodinâmica, peso e durabilidade. Na Embraer, terceira maior fabricante de aviões comerciais do mundo, o ciclo de desenvolvimento de uma nova aeronave podia levar anos.
O processo tradicional envolvia simulações computacionais pesadas, testes em túnel de vento e iterações intermináveis de design. Engenheiros criavam uma geometria, simulavam seu comportamento aerodinâmico, analisavam os resultados, ajustavam o design e repetiam. Centenas de vezes.
Cada iteração consumia horas de processamento computacional e dias de análise humana. Em um mercado onde velocidade de lançamento é diferencial competitivo, esse ciclo precisava ser encurtado.
Design generativo: a IA que propõe soluções
A Embraer adotou ferramentas de inteligência artificial para acelerar o processo de design e simulação. Algoritmos de design generativo exploram milhares de configurações possíveis para um componente, considerando restrições de peso, resistência e aerodinâmica simultaneamente.
Em vez de o engenheiro propor uma solução e testar, a IA propõe dezenas de soluções otimizadas para que o engenheiro avalie e refine. O processo inverte a lógica: a máquina explora o espaço de possibilidades e o humano decide.
Além do design generativo, modelos de machine learning treinados com dados históricos de simulações conseguem prever o comportamento aerodinâmico de novas geometrias em segundos, substituindo simulações que antes levavam horas. A Gerdau aplica uma lógica similar de ML para otimizar seus processos siderúrgicos com dados históricos.
Componentes mais leves e ciclos mais curtos
Redução significativa no tempo de desenvolvimento de componentes aeronáuticos, com exploração de espaços de design antes impossíveis.
- Aceleração do ciclo de design com exploração automatizada de alternativas
- Redução do tempo de simulação com modelos preditivos de ML
- Descoberta de geometrias otimizadas que engenheiros não teriam considerado
- Redução de peso de componentes sem comprometer segurança estrutural
IA generativa além da indústria aeronáutica
O design generativo não é exclusivo da indústria aeronáutica. Qualquer empresa que projeta produtos físicos, de móveis a peças industriais, pode usar IA para explorar alternativas de design que otimizem custo, peso e desempenho.
Ferramentas como Autodesk Fusion 360 e Siemens NX já oferecem design generativo acessível para empresas de médio porte. O investimento está em definir bem as restrições do projeto e deixar a IA trabalhar.
A lição da Embraer é que IA não substitui engenheiros. Ela amplifica sua capacidade de explorar soluções. O engenheiro continua tomando as decisões, mas agora com muito mais opções sobre a mesa. A BMW segue o mesmo princípio com visão computacional, onde a IA complementa (e não substitui) a equipe humana.
Estratégias para adotar IA em engenharia de produto
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IA como copiloto de engenharia. O melhor uso de IA em design é amplificar a capacidade criativa, não substituir o engenheiro.
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Design generativo funciona com restrições claras. Quanto mais precisas as restrições, melhores os resultados da IA.
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Dados históricos de simulação são ouro. Se sua empresa já faz simulações, esses dados podem treinar modelos que aceleram futuras análises.
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Velocidade de iteração é vantagem competitiva. Quem testa mais alternativas em menos tempo chega a soluções melhores. A EchoStar provou que escala de automação gera economia de milhares de horas.
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Comece com componentes não críticos. Valide a abordagem em peças menos sensíveis antes de aplicar em componentes de segurança.
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